A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu início a uma etapa considerada decisiva para o futuro da Malha Sul ferroviária. A Diretoria Colegiada aprovou a abertura de Audiência Pública para a nova concessão do sistema ferroviário que conecta os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, abrangendo um total de 4.248,45 quilômetros de extensão.
O projeto está estruturado em três corredores ferroviários: Corredor Paraná-Santa Catarina, Corredor Rio Grande e Corredor Mercosul. O atual contrato de concessão, operado pela empresa Rumo Malha Sul S.A. desde a privatização da antiga Rede Ferroviária Federal, encerra-se em 2027.
Segundo o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, a participação da sociedade será fundamental na construção do novo modelo.
“A infraestrutura precisa funcionar na prática e gerar resultado percebido pelo usuário. A Audiência Pública é o momento em que a sociedade contribui para que esse projeto chegue ao leilão com o melhor desenho possível.”
Corredor Rio Grande passa por Tupanciretã
Entre os três lotes previstos, o Corredor Rio Grande possui especial importância para a região. Com 880,3 quilômetros de extensão, o trecho conecta Cruz Alta a Cacequi, passando por Tupanciretã e contando ainda com um ramal até Santiago, seguindo posteriormente até o Porto de Rio Grande.
Atualmente, esse corredor responde por aproximadamente 16,6% da movimentação total da Malha Sul, com destaque para o transporte de grãos, fertilizantes e combustíveis.
Já o Corredor Paraná-Santa Catarina possui 1.502,26 quilômetros e concentra cerca de 78% de toda a carga movimentada pela Malha Sul, sendo considerado o principal eixo econômico do projeto.
O Corredor Mercosul, por sua vez, possui 1.865,78 quilômetros e liga o interior paulista à fronteira com a Argentina, passando por cidades gaúchas como Passo Fundo, Porto Alegre, Santa Maria, Cacequi e Uruguaiana.
Investimentos previstos
O plano prevê investimentos totais de R$ 14,4 bilhões em infraestrutura ao longo dos 30 anos de concessão, além de R$ 38,6 bilhões em custos operacionais.
Do montante destinado às obras, cerca de R$ 3 bilhões serão aplicados na reconstrução e modernização da infraestrutura ferroviária do Rio Grande do Sul, especialmente em áreas impactadas pelos eventos climáticos registrados nos últimos anos.
Os três corredores serão licitados conjuntamente em um único certame. O modelo aprovado prevê ainda investimentos cruzados, nos quais o Corredor Paraná-Santa Catarina contribuirá financeiramente para a viabilização dos demais lotes, destinando R$ 1,47 bilhão ao Corredor Rio Grande e R$ 3,46 bilhões ao Corredor Mercosul.
Participação da sociedade
A consulta pública permitirá que cidadãos, empresas, entidades e demais interessados apresentem sugestões para as minutas do edital e do contrato de concessão.
As informações do projeto estão disponíveis desde 8 de junho, enquanto o período para envio de contribuições ocorrerá entre 15 de junho e 10 de agosto de 2026.
As audiências presenciais serão realizadas em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, com destaque para a etapa gaúcha marcada para o dia 29 de julho, em Porto Alegre.
Atualmente, a operação da Malha Sul está sob responsabilidade da Rumo Malha Sul S.A., integrante da Rumo S.A., que tem como principal investidor de referência a Cosan S.A..
A nova concessão poderá definir os rumos do transporte ferroviário da região pelos próximos 30 anos, impactando diretamente municípios como Tupanciretã, que integram um dos corredores estratégicos do projeto.
Fonte: Comunicação ANTT
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